Desenvolvimento Cognitivo

O desenvolvimento cognitivo do bebé é a sua capacidade de pensar, aprender, raciocinar e memorizar. Para poder prever os resultados de determinadas ações, o bebé precisa de ter um conjunto de experiências e memórias que estruturem o seu raciocínio.

Até aos 6 meses, é muito importante os bebés diferenciarem o seu corpo do mundo que os rodeia e, mais à frente, começar a interagir intencionalmente com este. O processo de desenvolvimento cognitivo é, por isso, nas fases iniciais do crescimento, altamente dependente da maturidade física e coordenação do bebé, sem as quais o bebé não consegue interagir intencionalmente com o mundo que o rodeia, pelo que está 100% interligado ao desenvolvimento motor. Em fases mais avançadas, a evolução da linguagem, por exemplo, tem também um papel muito importante na contínua complexidade dos processos racionais do bebé.

É importante perceber que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento e que as etapas mencionadas são apenas referências gerais.

Em última análise, se estiver preocupado com o normal crescimento do seu filho, a pessoa mais indicada para o dizer é o pediatra ou outro profissional de saúde que acompanha o seu crescimento. É, também, importante perceber que os pais têm um papel muito relevante no estímulo dos seus filhos, desafiando-os com brincadeiras e premiando-os sempre que atingem determinados feitos, que podem parecer pequenos, mas que numa fase em que tudo é novo, são grandes conquistas sobre as quais se acumularão mais experiências no processo de crescimento.

Os sentidos

Associados à crescente coordenação dos movimentos, a evolução da maturidade dos 5 sentidos é essencial para a capacidade de interação com o ambiente envolvente e, como tal, marcante no processo de aprendizagem do bebé.

A audição começa a estimular o bebé mesmo antes do nascimento. Os bebés respondem a sons e podem mesmo aprender a reconhecê-los. Estudos indicam, por exemplo, que a sensibilidade musical pode começar a formar-se ainda dentro do útero.

O olfato do bebé é rudimentar, mas atuante e necessita de processo de aprendizagem. Ao fim de alguns dias, ele diferencia o cheiro da mão e identifica o cheiro do leite. Toda a restante estrutura olfativa vai, depois, evoluindo gradualmente e dependente das experiências de cada bebé.

Ao nascer, o paladar do bebé é um dos sentidos mais apurados, distinguindo os 4 sabores básicos: doce, amargo, salgado e azedo. O recém-nascido já tem preferência por sabores doces, ajudando-o a adaptar-se à vida fora do útero, uma vez que o leite materno é ligeiramente adocicado. Perante um estímulo gustativo agradável, a reação natural do bebé é a sucção.

Também em relação ao tacto, o bebé já nasce com este sentido bastante desenvolvido, sendo sensível ao toque, principalmente na boca, ao seu redor e nas mãos. Reage a temperaturas quentes e frias.

Embora toda a estrutura morfológica do aparelho visual esteja já formada ao nascimento, a visão é o sentido menos desenvolvido ao nascer – diz-se que o bebé recém-nascido é míope. A sua capacidade de focagem está pouco desenvolvida e não vai para além dos 30 cm, vendo essencialmente formas desfocadas e distinguindo linhas de fronteira entre os objetos. Esta capacidade de focar melhora rapidamente até aos 6 meses, permitindo uma focagem até aos três metros.

 

Reflexos e coordenação

Os bebés nascem com um conjunto de reflexos que ajudam na adaptação inicial ao meio envolvente e que a conquista definitiva do mecanismo de preensão (normalmente até aos 4 meses) marca o início da ação intencional, progredindo por fases até ao raciocínio lógico e formal do adulto.

Do quarto ao sexto mês, o bebé começa a prever as consequências do seu comportamento e os movimentos, cada vez mais coordenados, começam a centrar-se no resultado produzido. Gradualmente, e até por volta dos 6 meses, os bebés perdem os reflexos e estes são substituídos por funções cerebrais mais complexas.

 

Comunicação

Apenas aos 3 anos as crianças começam a ter um uso mais organizado e produtivo da sua linguagem oral, o que não quer dizer que antes disso não comunique, pelo contrário – os vários tipos de choro que os pais começam a distinguir desde cedo nos seus filhos e as expressões faciais e corporais são já uma forma da criança interagir com o mundo, mostrando o seu agrado ou desagrado perante inúmeras situações — é a fala pré-linguística.

Por volta dos 7 meses, o palrar do bebé, servindo anteriormente mais para o seu divertimento, passa a ser tentativa de palavras, num processo de imitação normal dos bebés que é muito importante para o seu desenvolvimento cognitivo. No entanto, nesta fase, o choro e as expressões faciais são ainda o meio de comunicação principal. Os bebés vão-se apercebendo de que os sons que emitem têm um sentido e que estão relacionados com algumas ações. Este é um passo muito importante para o seu cérebro começar a distinguir os sons e, mais tarde, conseguir reagir de forma seletiva.

Dos 7 aos 11 meses é uma fase de preparação do estágio da linguagem, quando a criança começa a ter seletividade auditiva, respondendo por exemplo ao seu nome, ouve música com interesse e presta atenção a conversas. O conhecimento da linguagem é fundamental para o desenvolvimento intelectual, pelo seu papel na organização mental de ideias e como ferramenta essencial na capacidade racional e no desenvolvimento sócio-emocional.

As primeiras palavras

Todos os pais esperam ansiosamente pela primeira palavra dos seus filhos, se será mamã, ou papá , ou bebé,… normalmente é formada por uma sílaba repetitiva, composta por uma vogal e uma consoante.

A maior parte das crianças demora cerca de um ano ou mais até conseguir pronunciar as suas primeiras palavras e como aprendem tudo por imitação, os pais têm de os ajudar nesta tarefa.

Embora identifiquem um leque alargado de palavras desde cedo, não as conseguem pronunciar – podem até saber indicar corretamente um conjunto alargado de animais num livro, por exemplo, saber imitar os sons de alguns e gesticular atitudes representativas dos mesmos, mas saber apenas o nome do cão. Só mais tarde evolui a capacidade de pronunciar um conjunto alargado de palavras.

Estimule o seu filho de forma criativa e através de brincadeiras indicadas para a sua idade. Desta forma, capta a sua atenção para o que está a fazer e facilita o processo de interiorização e associação dos sons à sua representação real.

 

Brincadeiras

As brincadeiras são, desde cedo, a melhor forma de o seu filho aprender, tanto em fases iniciais, em que o objetivo principal é a coordenação motora, a descoberta do seu corpo e o contacto gradual com o mundo que o rodeia, como em fases mais avançadas, em que a linguagem e o relacionamento ganham um papel central no seu crescimento.

É importante, por isso, saber identificar brincadeiras apropriadas para cada idade e fase de desenvolvimento.