Desenvolvimento MOTOR

O desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo estão muito ligados, principalmente nas primeiras fases de desenvolvimento do bebé, nas quais ainda não têm uma linguagem estruturada que facilite a assimilação do mundo que os rodeia.

Se entendermos que o desenvolvimento cognitivo é tudo o que a criança vai aprender, percebemos facilmente esta ligação.

Numa primeira fase, a criança depende quase exclusivamente dos seus reflexos, que lhe permitem reagir a determinadas situações. À medida que aprende a coordenar os movimentos (numa primeira fase) e a expressar-se nas mais variadas formas, vai aumentando o seu campo de ação e interagindo cada vez mais intencionalmente com o mundo que a rodeia. O amadurecimento físico e cognitivo vai acompanhando essas evoluções, preparando-o para os próximos estágios.

Por uma questão de facilidade de consulta, separamos as dicas sobre o desenvolvimento motor e desenvolvimento cognitivo, mas é importante reforçar a ligação estreita que têm. É principalmente importante perceber que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento e que as etapas mencionadas são apenas referências gerais.

Em última análise, se estiver preocupado com o normal crescimento do seu filho, a pessoa mais indicada para o dizer é o pediatra que acompanha o seu crescimento. É, também, importante perceber que os pais têm um papel muito relevante no estímulo dos seus filhos, desafiando-o com brincadeiras e premiando-o sempre que atinge determinados feitos, que podem parecer pequenos, mas que numa fase em que tudo é novo, são grandes conquistas sobre as quais se acumularão mais experiências no processo de crescimento.

Evolução gradual

Como curiosidade e para compreender o intrincado de ligações nervosas que originam o crescimento físico e o desenvolvimento motor normais, é importante compreender dois princípios:

Cefalocaudal
Onde o desenvolvimento avança da cabeça para as partes inferiores.

Próximo-distal
O desenvolvimento avança do centro do corpo para as partes externas.

Segundo estes princípios e de forma a simplificar a análise, os bebés desenvolvem primeiro a capacidade de controlar os movimentos na zona superior dos braços e pernas (próximo do centro do corpo) e, mais tarde, as zonas inferiores dos membros, seguido das mãos e pés e, posteriormente, dos dedos.

 

 

Os primeiros movimentos

Logo após o nascimento, os bebés apresentam um conjunto de movimentos simples, que não são mais do que respostas automáticas a estímulos, mas muito importantes para a adaptação ao novo meio em que estão – os reflexos. São exemplos destes reflexos: sugar, engolir, o virar da cabeça na direção do toque quando sente um estímulo táctil, a retração quando exposto a estímulos dolorosos e o fechar da mão ou preensão quando se coloca um dedo atravessado na palma do bebé.

Até aos 2 meses é uma fase de evolução da coordenação de reflexos e reações e onde se podem observar as primeiras tendências imitativas. Com o evoluir dos sentidos e da coordenação, quando algum comportamento tem um resultado interessante, os bebés tendem a repeti-lo.

A conquista definitiva do mecanismo de preensão (normalmente até aos 4 meses) marca o início da ação intencional.

Do quarto ao sexto mês, o bebé começa a prever as consequências do seu comportamento e os movimentos, cada vez mais coordenados, começam a centrar-se no resultado produzido.

Gradualmente, e até por volta dos 6 meses, os bebés perdem os reflexos e estes são substituídos por funções cerebrais mais complexas.

 

As primeiras habilidades

Segurar Objetos
Os bebés nascem com a capacidade natural de preensão, mas demora pelo menos um ano até desenvolverem coordenação motora suficiente para segurar os objetos com firmeza – apenas por volta dos 18 meses terão coordenação suficiente para comer sozinhos com a colher. No entanto, é importante deixá-los fazer experiências neste sentido a partir dos 8/9 meses.

Quando o bebé aprende a segurar coisas, inicia-se um mundo inteiro de brincadeiras. Esteja atento porque os bebés começam a ter algum controlo por volta dos 3 meses e é essencial incentivá-lo com brinquedos adequados a cada fase.

Segurar a Cabeça
Ao nascer, os bebés têm pouco controlo nos movimentos da cabeça (reflexo) e nenhuma capacidade de sustentação da mesma. Por isso, é indispensável saber segurar bem um bebé nos primeiros meses de vida.

Na maioria dos bebés até aos 6 meses, os músculos do pescoço ficam fortes o suficiente para sustentar a cabeça.

Eles vão desenvolvendo aos poucos esta habilidade, que será a base para todos os movimentos que irão fazer dali para a frente. Parece fácil, mas é relevante perceber que representa cerca de 30% do tamanho do corpo.

Rolar Deitado
Esta divertida proeza ocorre normalmente entre os três e os seis meses.

O bebé começará por fazer pequenas flexões dos braços, erguendo gradualmente o corpo até que com um impulso conseguirá virar-se de costas. Esta é, normalmente, a primeira fase de uma brincadeira mais controlada de rodar para um lado e para o outro que lhe possibilitará movimentar-se pela primeira vez sozinho.

Ter em especial atenção a segurança do local onde coloca o bebé porque, a qualquer momento e sem que se esteja à espera, o bebé pode conseguir rolar, principalmente quando começar a ver o seu bebé oscilar lateralmente quando o deita numa superfície plana.

Sentar sem Apoio
Enquanto o pescoço não estiver firme e enquanto não atingir um certo grau de maturidade neurológica, não se conseguirá sentar sem apoio.

Depois de segurar a cabeça, o bebé vai enrijecer os braços e aprender a manter o tronco ereto.

Normalmente, o bebé aprende a sentar-se sem apoio por volta dos 8 meses, mas é considerado normal o bebé sentar-se antes ou depois disto.

Este é um passo muito importante para o desenvolvimento do bebé, uma vez que liberta os dois braços e lhe permite ter uma nova perspetiva do mundo que o rodeia, antecedendo normalmente o iniciar a gatinhar.

Pode estimular o bebé antes dos 8 meses mas em ambiente controlado e tenha sempre atenção à cabeça, uma vez que o bebé pode ainda não a segurar muito bem.

Gatinhar
O gatinhar é uma das grandes mudanças que antecede o andar. Ocorre normalmente por volta dos 9 meses e inicia a verdadeira liberdade de movimentos do bebé.

Nem todos os bebés gatinham e existem muitas variações nas formas de gatinhar. Ter em atenção que algumas das posturas adotadas podem não ser muito boas, como por exemplo colocar uma perna dobrada debaixo do corpo e a outra esticada para a frente – informe-se com os profissionais de saúde como corrigir estas posturas.

É fundamental que os pais proporcionem ao bebé um ambiente acolhedor e estimulante, para que ele tenha vontade e confiança para explorar.

É, também, conveniente preparar toda a casa para esta nova fase do bebé e estar atento a cada movimento sempre que ele esteja a gatinhar solto pela casa.

Içar-se
Depois de dominar o gatinhar ou outra qualquer forma de locomoção, como por exemplo arrastar-se, e se já tiver uma certa maturidade muscular, o bebé, ao atingir alguns objetos (ou pessoas) tentará içar o seu peso com a força dos braços e das pernas.

Esteja atento, crie uma zona de queda segura e ajude o bebé a equilibrar-se e a ganhar segurança gradualmente.

Lembre-se de que esta posição dá uma sensação de bem-estar visível ao bebé, que ao sentir-se seguro, inicia o processo de andar agarrado aos objetos, largando-se lentamente até dar os primeiro passos.

Os primeiros passos

Este grande passo ocorre normalmente por volta dos 12 meses de idade.

Prepare a casa, desimpeça o caminho e tenha especial atenção às esquinas aguçadas e duras.

Prepare-se também para começar a correr atrás do bebé (que parece nesta fase terem uma tendência especial para o perigo).

No início, deixe o bebé andar descalço, ou com meias com borracha na sola, para maior controlo de movimentos. Escolha sapatos macios e flexíveis quando o bebé começar a andar na rua.

As quedas são inevitáveis e o mais importante é tentar prever os movimentos do bebé para poder protegê-lo. Pelo sim pelo não, evite chão de pedra e tente numa primeira fase pisos de madeira ou borracha.