SOCIALIZAÇÃO

A socialização do seu filho começa no 1º dia de vida. Ele alimenta-se de cada interação com o mundo que o rodeia e representa a interiorização das normas e valores da sociedade em que está inserido e dos seus modelos de comportamento.

É neste processo multifacetado de interações contínuas do indivíduo com os múltiplos meios em que se insere que a personalidade do seu filho se vai moldando.

O desenvolvimento social de uma criança não deve ser visto individualmente, mas sim inteiramente associado ao desenvolvimento afectivo-emocional, físico-motor, intelectual… Se por um lado a socialização depende em grande escala de variáveis como segurança/confiança, por outro, os jogos e brincadeiras, sejam eles mais físicos ou intelectuais, são um dos principais meios de socialização desde cedo.

A correta assimilação das várias experiências sociais vai ajudar o seu filho a conhecer-se a si próprio, a perceber as necessidades e intenções dos outros e a saber como reagir em cada situação.

Este desenvolvimento desenrola-se, em primeiro lugar, com a família ou outros agentes próximos da criança (creche, …) e, gradualmente, com um universo cada vez maior e mais complexo.

O papel dos pais é central nesta matéria e compreender alguns momentos e variáveis chave é essencial para poder encaminhar corretamente o seu filho.

A importância dos primeiros vínculos

É na primeira relação com a figura materna (ou equivalente) que o bebé vai obter a confiança básica no ambiente que o rodeia. O bebé que recebe afeto/ amor e é atendido nas suas necessidades primárias vai desenvolver um sentimento de segurança essencial para as futuras interações.

A mãe que consegue identificar as necessidades e, posteriormente, os estados afetivos do bebé, ajuda-o a ir reconhecendo as suas próprias sensações, impulsos e desejos. Ao longo do desenvolvimento e sendo uma criança normal, provavelmente terá mais condições de compreender e ser empática em relação ao meio externo.

Socialização primária e secundária

A socialização é normalmente dividida em 2 tipos/fases — socialização primária e secundária.

Interessa-nos, essencialmente, explicar a importância da socialização primária, que inicia com o nascimento e se desenrola até aproximadamente aos 12 anos de idade, em diferentes fases e com diferentes intensidades.

É na socialização primária que a criança aprende e interioriza a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que pertence. A socialização primária tem um valor primordial para o indivíduo e deixa marcas muito profundas em toda a sua vida, já que é aí que se constrói o primeiro mundo do indivíduo.

A socialização secundária representa a adaptação/especialização do indivíduo já socializado a esferas específicas de interação (ex: escola, trabalho, …) e está relacionada com papéis específicos que o indivíduo vai desempenhar durante a sua vida.

Os primeiros contactos com o mundo

Os primeiros contactos com o mundo que os rodeia são auditivos, tácteis e olfactivos e é com base nesses sentidos que se estabelecem as primeiras interações. A voz e cheiro da mãe são identificados logo nos primeiros dias de vida, reconfortando o bebé sempre que presentes.

A visão vai amadurecendo gradualmente e, juntamente com os outros sentidos, vai permitindo uma percepção cada vez mais alargada do que o rodeia, através da qual consegue uma identificação cada vez mais extensa e mais profunda de objectos e pessoas, inclusive dos pais.

Associada à capacidade crescente de reconhecimento está também a capacidade crescente de interação, seja através de simples gestos, expressões ou sons (como choro).

Esse descortinar de universos cada vez mais extensos e mais complexos possibilita também uma identificação e adaptação gradual aos mesmos. É nesse contacto que o bebé vai iniciando a sua socialização e definição de personalidade.

Os pais são um marco único nesse processo de desenvolvimento social:

• Pela sensação de segurança que podem proporcionar ao bebé, essencial para a confiança para explorar novas realidades;

• Pelo papel em definir limites razoáveis para a ação do bebé;

• Como modelos, cujas reações contínuas dão as primeiras noções de certo e errado à criança.

 

Marcos da socialização do bebé

 

Conforto na presença da mãe logo no primeiro mês.

 

Desde cedo os bebés imitam pequenos gestos como colocar a língua de fora.

 

Por volta dos 2 meses o bebé já presta atenção a uma conversa e segue objetos com o olhar.

 

O primeiro sorriso social ocorre normalmente por volta dos 3 meses.

 

Por volta dos 4 meses responde com sons quando ouve os pais a falar com ele.

 

Por volta dos 7 meses aprende a dizer mãe e pai e brinca às escondidas.

 

Por volta dos 8 meses aponta com o indicador.

 

Por volta dos 9 meses compreende uma proibição e reconhece o seu nome.

 

Por volta dos 12 meses aprende a andar livremente e mostra com gestos o que quer.

 

Por volta dos 14 meses imita as tarefas do lar.

 

Por volta dos 16 meses utiliza a palavra “não”.

 

Por volta dos 20 meses articula 2 palavras.

A importância de bases fortes para o futuro

A criança que tenha segurança nas suas capacidades e que já testou a sua autonomia no seio familiar estará mais predisposta a arriscar em novos vínculos e novas experiências, podendo assumir a sua individualidade nas várias interações que terá pela frente.